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Sindicato dos Rodoviários é desmembrado

Category: Notíciassinajus @ 09:18

Ministério autoriza outro sindicato a representar categoria em Volta Redonda, além de mais 5 cidades

Fotos: Foco Regional
Zequinha, presidente do novo sindicato, com o coordenador Luiz Rogério de Freitas: Ele reivindicava desmembramento havia 12 anos

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Um verdadeiro golpe na espinha dorsal do poderoso Sindicato dos Rodoviários do Sul Fluminense. Assim pode ser comparada a decisão do Ministério do Trabalho e Emprego de autorizar o desmembramento da entidade, com a fundação de um novo sindicato, com sede em Volta Redonda, que vai representar a categoria também em Pinheiral, Piraí, Barra do Piraí, Valença e Rio das Flores. O despacho com a concessão do registro foi publicado no Diário Oficial da União no último dia 20. A base do Sindicato do Sul Fluminense ficará restrita a Barra Mansa (onde está situado), Quatis, Resende, Itatiaia e Paraty.

No entanto, o novo sindicato vai se limitar a defender os interesses apenas dos trabalhadores do transporte coletivo, não incluindo quem trabalha em transportadoras. Mesmo assim, o novo sindicato já nasce abocanhando cerca de 70% dos trabalhadores de empresas de ônibus em relação à área que foi desmembrada. Estima-se que sejam entre três mil e quatro mil rodoviários nas seis cidades onde o novo sindicato vai atuar. Só em Volta Redonda, a Viação Sul Fluminense tem cerca de 1,1 mil funcionários.

A concessão da carta magna, como é chamado o documento que autoriza o funcionamento de um sindicato, surpreendeu Raimundo José Filho, dos Rodoviários do Sul Fluminense. Ele acreditava que o processo de criação do novo sindicato estava arquivado. Ironicamente, quem deu o pontapé inicial no processo, em 2006, foi o advogado Hércules Anton, no período em que ele esteve afastado da instituição sediada em Barra Mansa e presidida à época por Salvador Curty. O advogado acabou voltando na gestão de Raimundo. O pedido de registro, entretanto, seguiu adiante com outro advogado, de Volta Redonda, que foi procurado por José Gama, o Zequinha (Viação Pinheiral), agora presidente do novo sindicato.

- Tivemos várias audiências no Tribunal Regional do Trabalho, no Rio, onde foi decidido pelo arquivamento do processo. Agora chegou esta surpresa – disse Raimundo ao FOCO REGIONAL, depois de ressaltar que, em fevereiro de 2008, numa assembleia realizada na Praça Juarez Antunes, na Vila, 303 rodoviários de Volta Redonda se manifestaram contra o desmembramento. “Este sindicato vai ter o quê a oferecer a estes trabalhadores hoje?”, questiona o sindicalista, para quem os rodoviários correm o risco de perder “as conquistas” obtidas pela instituição antes do desmembramento.

“Eles não vão ter a garantia do último acordo coletivo, o melhor dos últimos anos, quando conquistamos 10% de reajuste. O Sindpass (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros) entende que não tem acordo fechado com este novo sindicato e eles podem perder outras conquistas, como cesta básica, uniforme e participação nos lucros”, acrescentou Raimundo. O Sindicato do Sul Fluminense, segundo ele, tem 3,8 mil sócios, contra 600 da época em que assumiu a presidência. Raimundo não esconde também a preocupação com o impacto econômico em seu sindicato.

- Vai trazer dificuldades, principalmente em razão dos atendimentos médicos, odontológicos e exames, sem contar quem aderiu ao plano de saúde. O atendimento em nossa subsede em Volta Redonda terá que ser cortado. Ou seja, os familiares dos rodoviários ficarão expostos ao SUS – alertou. Raimundo esclareceu que, à época em que era oposição, não participou do processo para criar o novo sindicato porque, sendo de Barra Mansa, nem poderia fazer parte dele.

O sindicalista confirmou que estão sendo estudadas medidas jurídicas para impedir que o novo sindicato funcione. “Nosso departamento jurídico é que vai determinar”, disse. Ele ressaltou ainda que o Sindicato do Sul Fluminense tem “credibilidade junto à Fetranspor”, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro. Vice-presidente da Região Sul da Nova Central Sindical de Trabalhadores, Raimundo disse ter sido informado de que o novo sindicato é ligado à Força Sindical porque foi Luiz de Oliveira Rodrigues, o Luizinho (ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos), quem orientou o grupo.

Zequinha lutava pela medida havia 12 anos

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Transporte Coletivo de Passageiros, José Gama, o Zequinha, lembrou que sua luta para desmembrar o Sindicato dos Rodoviários do Sul Fluminense teve início 12 anos atrás. O pedido de registro do novo sindicato no Ministério do Trabalho e Emprego deu entrada em janeiro de 2006. Ele diz que todos os trâmites foram cumpridos. “Há três anos vínhamos fazendo reuniões em Volta Redonda com os trabalhadores”, afirmou. “Estamos agora trabalhando na sindicalização dos rodoviários e informando as empresas do novo sindicato”.

Coordenador e assessor da presidência, Luiz Rogério de Freitas disse que em três dias foram feitas 546 filiações e que a direção quer conversar pessoalmente com o presidente do Sindpass, Paulo Afonso Paiva Arantes – o que não havia conseguido até o final da semana passada. “Está se falando muita coisa para ele, mas nada saiu da nossa boca”, disse Rogério. Ele garantiu que não há risco de os rodoviários da base do novo sindicato perderem o que foi fechado com o Sindpass no acordo coletivo deste ano. “Se o Sindpass não reconhecer isso, terá que negociar com a gente”, frisou o coordenador.

- Além disso, caso o sindicato não fosse legal, o ministério não teria concedido o registro. Cumprimos todos os requisitos – acrescentou.

De acordo com o presidente, o sindicato nasceu “da insatisfação da base” com o sindicato-mãe. Sobre o fato de a entidade ser filiada à Força Sindical, o presidente afirmou que foi pela ajuda que recebeu. “Toda vez que procurava alguém, inclusive deputados, o que mais ouvia é que deveria desistir porque não conseguiria o desmembramento. Em 2005 fui levado ao Luizinho, que me ajudou até onde pôde. Assumi um compromisso e vou caminhar junto com a Força Sindical”, justificou Zequinha. Ele esclareceu ainda que, desde o início, a proposta era que o novo sindicato representasse apenas os trabalhadores do transporte coletivo, por isso, não incluiu os rodoviários de cargas.

Depois de frisar que o sindicato “precisa de um tempo para se estruturar”, Zequinha e Rogério disseram que já estão em andamento negociações com para garantir aos associados atendimento médico, odontológico e laboratorial.

O FOCO REGIONAL tentou ouvir o presidente do Sindpass, mas até o fechamento desta edição ele não retornou o telefonema solicitando a entrevista.

Sincero: Raimundo admitiu que foi surpreendido com a concessão do registro a sindicato

 

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